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"Somos o que pensamos. Tudo o que somos surge com nossos pensamentos. Com nossos pensamentos, fazemos o nosso mundo.".

Buda

domingo, 8 de junho de 2014

Xuxa E As Paquitas: Quando Eu Descobri O Racismo!

ASSIM ERAM AS PAQUITAS

Quando eu falo que não gosto da Xuxa, as pessoas me olham com um olhar de espanto. Mas por que você não gosta dela? Então, eu não gosto dela porque ela é racista! Ai as pessoas logo vem com o argumento que a Xuxa namorou o Pelé. Ok! Os senhores de escravos iam para a cama com as escravas, e isso não os tornava menos escravocratas. Nem tão pouco menos racistas, de qualquer modo, toda vez que eu entro nesse assunto prefiro me calar e deixar a pessoa achar que me convenceu. Mas eu nunca vou mudar de opinião com relação. Nasci em 1990, desde o meu nascimento até quando completei quinze anos, a 'Rainha dos Baixinhos' apresentou o Xou da Xuxa, Xuxa Star, Paradão da Xuxa, Programa Xuxa, Xuxa Park, Xuxa Hits, Planeta Xuxa. Não há como negar que essa tal Maria das Graças influenciou uma geração. Arrastou multidões e fez muitos baixinhos chorarem com suas canções. Não conheço ninguém que tenha nascido no fim da década de 70, década de 80 e 90 que já não tenha sonhado em conhecer a Dona Xuxa. Quem não se lembra das Paquitas? Brancas, lindas, loiras, magras e com seus olhos claros! Lembra daquela Paquita gordinha, meio desengonçada? Ah, que memoria fraca a sua! Lembra das Paquitas negras, com seus cabelos blacks? Não lembra? Então, é esse literalmente o X da questão. Nunca houve uma Paquita negra. Nunca houve uma Paquita gordinha. Nunca houve uma Paquita fora dos padrões estéticos dos descendentes de Ariel. E como eu poderia não achar que a "Rainha dos Baixinhos" é racista? O Brasil é um pais onde mais da maioria da população é negra. Estabeleceu-se um padrão onde não ser loira era inaceitável. Me recordo de quando eu era bem novinha. No fim dos anos 90, teve uma seleção para escolher as novas Paquitas. Eu perguntei a minha mãe por que entre elas não havia nenhuma igual a mim. Ainda não entendia conceitos étnicos. Eu só sabia que nunca me enquadraria no padrão necessário. Aquele foi um dia realmente traumático. Foi a primeira vez que me deparei com o peso do preconceito. Ai eu te pergunto: qual a razão de nunca ter havido uma Paquita negra? Se nós, negros, eramos também o público dela. Por que não nos incluir? Será que uma Paquita negra a teria levado a derrocada? Ter negras naquele grupo teria sujado a imagem angelical daquelas meninas? Ou será que não havia nenhuma negra a altura dela? 

INFELIZMENTE O PÚBLICO QUE ENRIQUECEU A XUXA NÃO ERA SÓ DE BRANCOS CAUCASIANOS, LOIROS E COM OS OLHOS CLAROS 

Veja essa matéria que saiu na Folha de S. Paulo :
"Estudante carioca tenta ser a primeira paquita negra
'Vou me sentir bem entre as loiras', diz Michele Martins
MAURICIO STYCER
DA REPORTAGEM LOCAL
A estudante Michele Martins tem a chance de, nos próximos dias, quebrar um velho tabu da televisão brasileira: ela pode ser escolhida como a primeira paquita negra do programa da apresentadora Xuxa.
Até hoje Xuxa só se cercou de auxiliares tão loiras quanto ela.
Mais de 2.500 garotas se inscreveram para disputar meia dúzia de vagas. A primeira seleção deixou 120. Na segunda, sobraram 20. Na próxima semana, serão anunciadas as vencedoras.
"Vou me sentir bem entre tantas loiras", diz Michele, 16.
Ela acha que nunca houve uma paquita negra por falta de iniciativa. "Não é preconceito da Xuxa. As meninas é que nunca se candidataram", diz ela.
A onda do politicamente correto atinge "A Próxima Vítima", a novela de Silvio de Abreu que estreou na TV Globo.
Entre os protagonistas, há uma família negra de classe média, integrada pelo contador Cleber (Antonio Pitanga), sua mulher Fátima (Zezé Motta), e os filhos Sidney (Norton Nascimento), Jefferson (Lui Mendes) e Patrícia (Camila Pitanga).
Não por coincidência, o sonho da estudante Patrícia é ser modelo.(MSy)
".
Eu era muito criança para me recordar do cenário social desta época, mas esta implícito que o fato de não haver Paquitas negras já estava gerando desconforto. No meio de 2.500 meninas, não havia uma negra boa o suficiente para fazer parte da equipe. Não se enganem: as meninas é que não se candidatavam, a culpa era toda delas. Tudo isso por sua "falta de iniciativa". E oque dizer do ponto de vista do Jornal Folha de S. Paulo, que chamou a inserção de negros na TV de "onda do politicamente correto"? 
Pra finalizar esse post, eu quero mandar um beijo pra minha mãe, pro meu pai e um beijo especialmente pra você, Xuxa, que provou que o racismo é uma característica da sua personalidade!  



http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1995/3/18/cotidiano/29.html



9 comentários:

  1. Se você não sabe, as paquitas nunca foram responsabilidade da Xuxa, elas eram um GRUPO INDEPENDENTE, como um anexo, "paquitas da Xuxa", era como as pessoas, o pública conhecia, mas na verdade as paquitas nunca foram da Xuxa. Foram de MARLENE MATTOS, a diretora do programa e responsável tutelar e de modo geral pelos DIREITOS AUTORIAIS do grupo. Se você NÃO SABE, as paquitas tinham CD's próprios e se apresentavam muito fora do programa. A responsabilidade não é de Xuxa, e sim de Marlene Mattos. Xuxa sempre questionou isso mas a ideia de Marlene Mattos (que eu defendo) era que as paquitas fossem "pequenas xuxas", "xuxinhas", e por essa razão, nunca houve uma paquita negra. PQ A XUXA NÃO É NEGRA !

    Será que você pensou nisso quando publicou isso ?

    AGORA A APRESENTADORA É BRANCA, DAÍ VÊM UMA DIRETORA E CRIA UMA IDEIA DE FAZER "VERSÕES PEQUENAS" DESSA APRESENTADORA e ai vêm pessoas infelizes dizendo que tem que ter uma negra.

    Ai vão querer DISTORCER e DESFIGURAR toda uma ideia/projeto de "pequenas xuxas" só pq as pessoas lembram que os negros passaram por tudo aquilo e devemos sempre sentir pena deles e acrescentar em alguma coisa ? como uma pessoa deficiente ?

    Acho que é ai que começa a INDIFERENÇA, pq as pessoas sempre olham pra algum programa procurando se tem um negro nele como protagonista pq se não tiver é pq todo mundo tem preconceito na produção.

    RESUMINDO: as pessoas TENTARAM distorcer a ideia de "pequenas xuxas" só pq acham que os negros tem que aparecer em tudo.

    AH TOME PACIÊNCIA !

    Eu sou negro e quero ser tratado normalmente, se eu chegar num programa e precisarem de brancos como versões mirim do apresentador eu vou entender completamente que é por que o apresentador é branco e eu sou negro.
    AGORA VOU CHORAR POR ISSO ? tem outra oportunidade em outros programas com ideias novas.

    OUTRA ! em 1995 a Xuxa precisava de um novo grupo de dançarinos típicos de funk melody. E ela selecionou 4 negros e formou o YOU CAN DANCE. Dançarinos do Xuxa Hits e Planeta Xuxa, ficaram com ela de 1995 até 1998.
    Ela não precisava de brancos, ela precisava de pessoas que eram a cara de funk melody. PRA TUDO TEM UM PADRÃO, PRA TUDO !

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    1. Por que não poderia ter uma pequena Xuxa negra?

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  2. Amei seu blog...como faco pra like ou acompanha seu blog?

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  3. Ellie, é um grande prazer ler seu comentario. Este blog é escrito de maneira tão despretenciosa, me alegra muito que agrade aos leitores. Há no rodapé o botão seguir caso você queira acompanhar as postagens!

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  4. O PROTESTO 1955 / 2O15. 60 ANOS do Poeta CARLOS DE ASSUMPÇÃO o mestre que completa 88 anos de muitos parabéns num sábado de muita luz 23 de maio glorioso que realça valoriza nossa luta a historia sempre viva do poeta guerreiro Cassump de Ébano como disse o herói poeta angolano Agostinho Neto.
    CARLOS DE ASSUMPÇÃO seu nome esta realçado entre os maiores poetas do mundo e assim no Brasil nas principais obras da cultura afro brasileiro"A Mão Afro-Brasileira" Emanoel Araújo. “Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana” Nei Lopes. “Enciclopédia Quem é quem na negritude brasileira” Eduardo de Oliveira.Enciclopédia“África Mãe dos Gênios Negros Afros Brasileiros” Jorge J. Oliveira entre outras obras. Os Dizeres dos grandes mestres sobre Carlos Assumpção diz Abdias do Nascimento é o meu poeta, Solano Trindade Protesto é minha alma, Geraldo Filme me arrepia, Clovis Moura a lira de nossas revoltas, Barbosa sinto cada letra, Prof. Eduardo Oliveira minha inspiração, Luís Carlos da Vilaa alma da Kizomba,Tião Carreiro uma alegria triste, Milton Santos Diz tudo, Grande Otelo é o Poema Hino Nacional da luta da Consciência e Resistencia Negra Afro-brasileira.
    CARLOS DE ASSUMPÇÃO – O maior poeta da militância negra da historia do Brasil autor do poema o PROTESTO Hino Nacional da luta da Consciência eResistencia Negra Afro-brasileira. O poetaAssumpção é o maior ícone das lideranças e dos movimentos negrose afros brasileiras e uma das maiores referencias do mundo dos ativistas e humanistasem celebração completa 88 anos de vida. CARLOS DE ASSUMPÇÃO nasceu 23 de maio de 1927 em Tiete - SP. Por graças e as benções de Olorum 88 anos de vida com sua família, amigos e nós da ORGANIZAÇÃO NEGRA NACIONAL QUILOMBO O. N. N. Q. FUNDADO 20/11/1970 (E diversas entidades e admiradores parabenizam o aniversario de 88 anos do mestre poeta negro Carlos Assumpção) temos a honra orgulho e satisfação de ligar para a histórica pessoa desejando felicidades, saúde e agradecer a Carlos de Assunpção pela sua obra gigante, em especial o poema escrito em 1955 o Protesto que para muitos é o maior e o mais significante poema dos afros brasileiros o Hino Nacional dos negros. “O Protesto” é o poema mais emblemático dos Afros Brasileiros e uns das América Negra, a escravidão em sua dor e as cicatrizes contemporâneas da inconsciência pragmática da alta sociedade permanente perversa no Poema “O Protesto” foi lançado 1958, na alegria do Brasil campeão de futebol, mas havia impropriedades e povo brasileiro era mal condicionado e hoje na Copa Mundial de Futebol no Brasil 2014 o poema “O Protesto” de Carlos de Assunpção está mais vivo com o povo na revolução para (Queda da Bas. Brasil.tilha) as manifestações reivindicatórias por justiça social econômica do povo brasileiro que desperta na reflexão do vivo protesto.
    O mestre Milton Santos dizia os versos do Protesto e o discurso de Martin Luther King, Jr. em Washington, D.C., a capital dos Estados Unidos da América, em 28 de Agosto de 1963, após a Marcha para Washington. «I have a Dream» (Eu tenho um sonho) foram os dois maiores clamores pela liberdade, direitos, paz e justiça dos afros americanos. São centenas de jornalistas, críticos e intelectuais do Brasil e de todo mundo que elogia a (O Protesto) (Manifestação que é negra essência poderosa na transformação dos ideais do povo) obra enaltece com eloquência o divisor de águas inquestionável do racismo e cordialidade vigente do Brasil Mas a ditadura e o monopólio da mídia e manipulação das elites que dominam o Brasil censuram o poema Protesto de Carlos de Assunpção que é nosso protesto histórico e renasce e manifesta e congregam os negros e todos os oprimidos, injustiçados desta nação que faz a Copa do Mundo gastando bilhões para uma ilusão de um mês que poderá ser triste ou alegre para o povo brasileiro este mesmo que às vezes não tem ou economiza centavos para as necessidades básicas e até para sua sobrevivência e dos seus. No Brasil.
    Organização Negra Nacional Quilombo ONNQ 20/11/1970 –
    quilombonnq@bol.com.br

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  5. .

    Poema. Protesto de Carlos de Assunpção

    Mesmo que voltem as costas
    Às minhas palavras de fogo
    Não pararei de gritar
    Não pararei
    Não pararei de gritar

    Senhores
    Eu fui enviado ao mundo
    Para protestar
    Mentiras ouropéis nada
    Nada me fará calar

    Senhores
    Atrás do muro da noite
    Sem que ninguém o perceba
    Muitos dos meus ancestrais
    Já mortos há muito tempo
    Reúnem-se em minha casa
    E nos pomos a conversar
    Sobre coisas amargas
    Sobre grilhões e correntes
    Que no passado eram visíveis
    Sobre grilhões e correntes
    Que no presente são invisíveis
    Invisíveis mas existentes
    Nos braços no pensamento
    Nos passos nos sonhos na vida
    De cada um dos que vivem
    Juntos comigo enjeitados da Pátria

    Senhores
    O sangue dos meus avós
    Que corre nas minhas veias
    São gritos de rebeldia

    Um dia talvez alguém perguntará
    Comovido ante meu sofrimento
    Quem é que esta gritando
    Quem é que lamenta assim
    Quem é

    E eu responderei
    Sou eu irmão
    Irmão tu me desconheces
    Sou eu aquele que se tornara
    Vitima dos homens
    Sou eu aquele que sendo homem
    Foi vendido pelos homens
    Em leilões em praça pública
    Que foi vendido ou trocado
    Como instrumento qualquer
    Sou eu aquele que plantara
    Os canaviais e cafezais
    E os regou com suor e sangue
    Aquele que sustentou
    Sobre os ombros negros e fortes
    O progresso do País
    O que sofrera mil torturas
    O que chorara inutilmente
    O que dera tudo o que tinha
    E hoje em dia não tem nada
    Mas hoje grito não é
    Pelo que já se passou
    Que se passou é passado
    Meu coração já perdoou
    Hoje grito meu irmão
    É porque depois de tudo
    A justiça não chegou

    Sou eu quem grita sou eu
    O enganado no passado
    Preterido no presente
    Sou eu quem grita sou eu
    Sou eu meu irmão aquele
    Que viveu na prisão
    Que trabalhou na prisão
    Que sofreu na prisão
    Para que fosse construído
    O alicerce da nação
    O alicerce da nação
    Tem as pedras dos meus braços
    Tem a cal das minhas lágrima
    Por isso a nação é triste
    É muito grande mas triste
    É entre tanta gente triste
    Irmão sou eu o mais triste

    A minha história é contada
    Com tintas de amargura
    Um dia sob ovações e rosas de alegria
    Jogaram-me de repente
    Da prisão em que me achava
    Para uma prisão mais ampla
    Foi um cavalo de Tróia
    A liberdade que me deram
    Havia serpentes futuras
    Sob o manto do entusiasmo
    Um dia jogaram-me de repente
    Como bagaços de cana
    Como palhas de café
    Como coisa imprestável
    Que não servia mais pra nada
    Um dia jogaram-me de repente
    Nas sarjetas da rua do desamparo
    Sob ovações e rosas de alegria

    Sempre sonhara com a liberdade
    Mas a liberdade que me deram
    Foi mais ilusão que liberdade

    Irmão sou eu quem grita
    Eu tenho fortes razões
    Irmão sou eu quem grita
    Tenho mais necessidade
    De gritar que de respirar
    Mas irmão fica sabendo
    Piedade não é o que eu quero
    Piedade não me interessa
    Os fracos pedem piedade
    Eu quero coisa melhor
    Eu não quero mais viver
    No porão da sociedade
    Não quero ser marginal
    Quero entrar em toda parte
    Quero ser bem recebido
    Basta de humilhações
    Minh'alma já está cansada
    Eu quero o sol que é de todos
    Ou alcanço tudo o que eu quero
    Ou gritarei a noite inteira
    Como gritam os vulcões
    Como gritam os vendavais
    Como grita o mar
    E nem a morte terá força
    Para me fazer calar.
    Organização Negra Nacional Quilombo ONNQ 20/11/1970 –
    quilombonnq@bol.com.br

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  6. .

    Poema. Protesto de Carlos de Assunpção

    Mesmo que voltem as costas
    Às minhas palavras de fogo
    Não pararei de gritar
    Não pararei
    Não pararei de gritar

    Senhores
    Eu fui enviado ao mundo
    Para protestar
    Mentiras ouropéis nada
    Nada me fará calar

    Senhores
    Atrás do muro da noite
    Sem que ninguém o perceba
    Muitos dos meus ancestrais
    Já mortos há muito tempo
    Reúnem-se em minha casa
    E nos pomos a conversar
    Sobre coisas amargas
    Sobre grilhões e correntes
    Que no passado eram visíveis
    Sobre grilhões e correntes
    Que no presente são invisíveis
    Invisíveis mas existentes
    Nos braços no pensamento
    Nos passos nos sonhos na vida
    De cada um dos que vivem
    Juntos comigo enjeitados da Pátria

    Senhores
    O sangue dos meus avós
    Que corre nas minhas veias
    São gritos de rebeldia

    Um dia talvez alguém perguntará
    Comovido ante meu sofrimento
    Quem é que esta gritando
    Quem é que lamenta assim
    Quem é

    E eu responderei
    Sou eu irmão
    Irmão tu me desconheces
    Sou eu aquele que se tornara
    Vitima dos homens
    Sou eu aquele que sendo homem
    Foi vendido pelos homens
    Em leilões em praça pública
    Que foi vendido ou trocado
    Como instrumento qualquer
    Sou eu aquele que plantara
    Os canaviais e cafezais
    E os regou com suor e sangue
    Aquele que sustentou
    Sobre os ombros negros e fortes
    O progresso do País
    O que sofrera mil torturas
    O que chorara inutilmente
    O que dera tudo o que tinha
    E hoje em dia não tem nada
    Mas hoje grito não é
    Pelo que já se passou
    Que se passou é passado
    Meu coração já perdoou
    Hoje grito meu irmão
    É porque depois de tudo
    A justiça não chegou

    Sou eu quem grita sou eu
    O enganado no passado
    Preterido no presente
    Sou eu quem grita sou eu
    Sou eu meu irmão aquele
    Que viveu na prisão
    Que trabalhou na prisão
    Que sofreu na prisão
    Para que fosse construído
    O alicerce da nação
    O alicerce da nação
    Tem as pedras dos meus braços
    Tem a cal das minhas lágrima
    Por isso a nação é triste
    É muito grande mas triste
    É entre tanta gente triste
    Irmão sou eu o mais triste

    A minha história é contada
    Com tintas de amargura
    Um dia sob ovações e rosas de alegria
    Jogaram-me de repente
    Da prisão em que me achava
    Para uma prisão mais ampla
    Foi um cavalo de Tróia
    A liberdade que me deram
    Havia serpentes futuras
    Sob o manto do entusiasmo
    Um dia jogaram-me de repente
    Como bagaços de cana
    Como palhas de café
    Como coisa imprestável
    Que não servia mais pra nada
    Um dia jogaram-me de repente
    Nas sarjetas da rua do desamparo
    Sob ovações e rosas de alegria

    Sempre sonhara com a liberdade
    Mas a liberdade que me deram
    Foi mais ilusão que liberdade

    Irmão sou eu quem grita
    Eu tenho fortes razões
    Irmão sou eu quem grita
    Tenho mais necessidade
    De gritar que de respirar
    Mas irmão fica sabendo
    Piedade não é o que eu quero
    Piedade não me interessa
    Os fracos pedem piedade
    Eu quero coisa melhor
    Eu não quero mais viver
    No porão da sociedade
    Não quero ser marginal
    Quero entrar em toda parte
    Quero ser bem recebido
    Basta de humilhações
    Minh'alma já está cansada
    Eu quero o sol que é de todos
    Ou alcanço tudo o que eu quero
    Ou gritarei a noite inteira
    Como gritam os vulcões
    Como gritam os vendavais
    Como grita o mar
    E nem a morte terá força
    Para me fazer calar.
    Organização Negra Nacional Quilombo ONNQ 20/11/1970 –
    quilombonnq@bol.com.br

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  7. A Xuxa se ela fosse negra, garota de programa, modelo e artriz pornô e fizesse filme com cenas de pedofilia com uma criança de 12 anos? Imaginam a cena: Uma atriz negra pelada com uma criança pelada ensinando e praticando a arte do sexo num prostibulo. Será que a TV Manchete dos judeus Blocks e Globo dos Marinhos e outras aceitariam esta aberração, nem o Pelé (na época Pelé Tinha 39 e há Xuxa 16 anos namoraria uma negra depravada e pedófila? será que as os pais, famílias a sociedade aceitaria que seus filhos assistem a um Programa infantil como apresentadora negra com suas paquitas negras e paquitos negros cantando “Todo mundo está feliz” influenciando modos e costumes com uma Xuxa negra pecadora, devasta seria uma vergonha para o Brasil perante o mundo um absurdo. Sra. Xuxa Meneghel fosse negra, eles a receberiam, claro que não, porque a Xuxa negra com passado da Xuxa real e loira a negra estaria presa ou linchada.ONNQ .20/11/1970 QUILOMBONNQ@BOL.COM.BR

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